Agora que estamos chorando o fim das Olimpíadas do Rio de Janeiro, façamos uma retrospectiva do mais importante momento desses últimos 16 dias. E não, não estamos falando do delicioso gosto de GIRL POWER na nossa boca, um festival de memes e um legado de ~melhorias~ bem questionáveis para a cidade maravilhosa. A abertura dos jogos foi, sem dúvida, o maior espetáculo da Terra: estima-se que a cerimônia tenha sido assistida por mais de um bilhão de pessoas… E, em meio a todas as manifestações artísticas e culturais que balançaram o Brasil, não podia faltar o quê? Isso mesmo, o Voguing!

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Pode parecer estranho, uma vez que não se trata de uma manifestação cultural tradicionalmente brasileira, mas a gente sabe o porquê. Seis dançarinos brasileiros marcaram o espaço dessa dança na seção da cerimônia chamada “box city”, um cenário com formatos de caixotes que remetia visualmente às favelas e morros da cidade e sobre os quais grupos apresentaram variadas coreografias, incluindo funk, passinho e outras danças urbanas. O Twitter pirou em muitas línguas ao ver os brasileiros abusando dos movimentos do New Way.

 

Como a gente não tá morta nem nada, trouxemos alguns detalhes fresquinhos dessa intervenção, diretamente da experiência de quem estava no palco: Marco Chaves e Elio Barbe, dois dos dançarinos que participaram da coreografia.

Vogue na abertura das Olimpíadas

Vogue na abertura das Olimpíadas

A responsável pela composição coreográfica da cerimônia de abertura das Olimpíadas 2016 é a coreógrafa brasileira Deborah Colker. Inicialmente, não ia ter Voguing na box city, mas Elio Barbe conta que a ideia surgiu no momento da divisão dos dançarinos. A coreógrafa viu os rapazes dando alguns passos despretensiosos de Voguing, se interessou por incluir a modalidade na montagem e, com a ajuda do coreógrafo assistente Filipe Ursão, transformou a sugestão em realidade. Vários bailarinos passaram pelo grupo, mas, no fim, o trecho foi fechado em seis pessoas: Marco, da House of Kínisi (RJ) e Elio, ambos do Voguing, Tago Oli e a Julia Strauss, das danças urbanas, e Joane Mota e Flávio Arco Verde, com mais experiência na dança contemporânea.

“Começamos com uma sequência pra mostrar mais ou menos como seria, quando começamos com a música fomos ajustando, pegando algumas viradas. Montamos do nosso jeito e o Ursão vinha dando os toques, o que queria que mudasse”, disse Elio. Sobre a coreografia final, Marco explica como foi a composição: “A gente fez essa quebra na hora que a musica faz a virada. Estamos dançando o Femme na musica da Elza Soares. Quando ela acaba, entra um funk e é dentro dele que a gente começa a parte de New Way e Old Way. A gente trabalha com vários combos de braços, varias formas com dips e outros passos do Old Way também”.

Vogue na abertura das Olimpíadas

Vogue na abertura das Olimpíadas

O relato dos dois dançarinos que entrevistamos é muito parecido: ambos falam do quão exaustivo foi o processo, em que treinaram várias horas por dia desde o mês de abril. Mas o resultado final fez valer a pena: foi uma oportunidade de elevar o Voguing a um novo patamar, ao ponto de dançar na abertura de uma olimpíada no Brasil.

Mas nada disso pode ser separado do sentimento especial de cada um deles, como fica claro no relato de Marco: “Poder estar dentro deste time foi uma onda muito maneira. Pessoalmente, pensei muito sobre o caminho que eu percorri. passou um filme na minha cabeça de quando saí da minha cidade, vim pro Rio de Janeiro correr atrás de um sonho de poder dançar, fazer o que eu gosto. Para mim foi gratificante ver todo esse caminho, ver até onde eu cheguei e onde eu posso chegar. Eu me emocionei bastante.” Nós também, Marco!

E, como dissemos, o Twitter VEIO ABAIXO, saca só:

Separamos uma galeria de fotos para imortalizar a imagem dos bailarinos que fizeram parte deste momento incrível nos jogos. Clique na foto abaixo para ver estes medalhistas.

Encerramento – toma mais close!

E a alegria não para por aí: o Japão, que vai receber a próxima edição das Olimpíadas em 2020, também tem uma cena de Voguing bastante forte. Por isso, não nos surpreende que no encerramento, uma pequena alusão à dança também estivesse lá. No vídeo que fez o aquecimento para os jogos de Tóquio, quem prestou bastante atenção conseguiu ver a dupla Aya Sato e Bambi, as japonesas que foram recebidas no corpo de baile de Madonna. Se você não teve o olho esperto o suficiente, guardamos este gif para lembrar a passagem dessas lacradoras.

Vogue Olympics

Foto de destaque: Elio Barbe do alto da Box City, na Abertura da Rio16 (Foto: Tago Oli)

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