Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio, Espírito Santo, Pernambuco, Distrito Federal, Santiago do Chile… e Minas Gerais. Nem nós imaginamos que o BH Vogue Fever teria capacidade de reunir pessoas de todos esses lugares para uma noite memorável. Em 19 de novembro de 2016, BH estourou novamente um balão de glitter em cima da própria cabeça e se jogou no pop, no spin e no dip. A Zodiac Ball foi o encerramento lacre de três dias de imersão com as três estrelas do Vogue mundial que não só ensinaram, mas trocaram experiências com os participantes da segunda edição do evento.

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Archie Burnett, Dashaun Wesley e Lasseindra Ninja foram os guias em torno de um universo pouco conhecido da noite belo-horizontina: as balls, festas em que dançarinos desfilam vestidos de si mesmos ou de seus alter-egos para apreciação do público e do júri, ao som dos melhores chants que você respeita. Um dos diferenciais foi a divisão de categorias: pela primeira vez, separamos Old Way de New Way e, no Vogue Femme, dividimos o Dramatics do Soft and Cunt. O objetivo é deixar a batalha mais justa e escancarar as diferenças de linguagens e abordagens. A noite começou como se deve, com a performance das anfitriãs Paula Zaidan, Raquel Parreira e Tetê Moreira, o Trio Lipstick, nossas parceiras nessa empreitada.

BH Vogue Fever - Bruna Brandão

Runway

A primeira categoria. Desfiles, técnica de passarela, looks elaboradíssimos e, claro, um carão impecável são o que diferenciam a presença de cada competidor. Com o tema A Era de Aquário, os batalhadores deveriam trazer para a passarela toda a sua inventividade, criatividade e consciência sobre aquilo que têm de mais visionário e alinhado com as tendências do futuro. Leninha representou a cena de BH numa batalha contra Diego Cazul.

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Bala Perdida, a dona de Belo Horizonte, incendiou a plateia ao apresentar a clássica revelação da bunda mais redonda da cidade.

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Cássia Rodrigues e Neptune Keller imaginaram um futuro de muita riqueza e brilho. Este é um dos destaques do tema desta categoria, “Era de Aquarius”, que pede aos participantes que representem a consciência mística, mas também uma projeção futurista.

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Thiago Basseto encantou com sua drag Melanie Bounce, já conhecida de quem acompanha a cena de Voguing do Rio de Janeiro.

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E se o futuro é das mulheres, a vitória só poderia ser de Juliete Schultz, que apresentou na passarela uma revelação para qual o público belo-horizontino não estava preparado.

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Virgin Vogue

Como era de se esperar, virgin vogue foi uma das categorias que mais emocionou o público. A gente pensa que, por se tratar de uma categoria de iniciantes, vai se deparar com uma performance básica. Gata, aqui não tem nada de básica não! Ednei Brito desembarcou de Floripa mostrando uma evolução impressionante desde a última ball. Foi impossível não sorrir com o carisma pisciano de Marina Goulart, uma das representantes de BH na categoria.

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Figuras conhecidas e novos rostos se encontraram na arena, orientados pelo MC e pelas dicas dos jurados. Vinda de Brasília, Izzy Duarte fez sua estreia estrondosa na pista de BH.

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Segundo o mapa astral da Zodiac Ball, os candidatos à medalha deveriam apresentar o seu Signo Solar. A vencedora do Vogue Fever Recife, Rany Hilston, lacrou a pista com sua exuberância leonina.

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Possuídos pelo ritmo ragatanga espírito de Leiomy que mora dentro de cada um de nós, Iago Sabino e Chapinha protagonizaram uma semi-final histórica: Sagitário versus Capricórnio.

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Fogo levou a melhor e Iago – o que dizer de Iago <3 – foi o vencedor da noite na categoria após duelar com Ednei, que saiu ovacionado pelo público e pelo júri.

Hands performance

A energia do Eclipse Total da Lua foi o mote para a categoria hands performance. Neste momento, a batalha pede precisão e velocidade. É preciso conhecer cada detalhe, cada centímetro da superfície da música e pegá-la com a mão. O jogo era de luz e sombra e Paulo Henrique deixou o público boquiaberto com sua entrada para os 10s – a qualificatória/eliminatória de todas as categorias. Ainda assim, Dashaun teve de explicar por que o dançarino quase tomou um chop de Lasseindra por ter mexido muito as pernas. O MC interviu, explicou que esta é uma categoria na qual é necessário usar apenas as mãos para contar sua história, mas foi benevolente: Paulo continuou na disputa.

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A gente prendeu a respiração nesta final cheia de movimentos muito rápidos. Um daqueles momentos em que você simplesmente não sabe para onde olhar: informação demais, técnica demais e beleza demais. Paulo, Lucas Fonseca e Félix Pimenta se enfrentaram nesta final tripla que vale ser colocada numa moldura.

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O mara o quê? Lucas Fonseca emocionou os editores deste site com sua história. E também o público com a sua performance, digníssima do primeiro lugar.

Pop, dip and spin (old way)

A maioria dos eventos de Vogue que cobrimos ao longo do ano colocaram old way e new way numa mesma categoria. Ainda que a junção faça algum sentido pela origem das duas formas de dançar, decidimos deixar tudo separado quando começamos a desenhar a nossa ball. O objetivo era que o público conseguisse perceber as características de cada uma delas, assumindo o risco de que talvez estas categorias teriam nenhum ou poucos inscritos. FUNCIONOU. Com o tema Mercúrio Retrógrado, os voguers deveriam trazer o caos para a passarela.

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Augusto Follmann e Félix Pimenta protagonizaram uma final de encher os olhos. Já conhecido pelo público do BH Vogue Fever do ano passado, Félix saiu ovacionado (você certamente se lembra dele na nossa foto que foi capa de todos os jornais do mundo) e Augusto ganhou a medalha da categoria e a menção honrosa de crush oficial do evento.

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Work. Paris. Dupree. Work. Paris. Dupree.

New way

Com o mesmo tema (Mercúrio Retrógrado), a categoria new way trouxe uma das finais mais disputadas da noite. Além de ter muito conhecimento técnico, o estilo pede que os dançarinos caprichem na precisão dos movimentos, abusem da musicalidade e não percam um mísero beat!

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Flexibilidade também é muito bem-vinda e foi justamente este o fator de desempate. Quando parecia que não ia ter jeito de escolher um vencedor, Diego mostrou o que é twist, deixou a festa boquiaberta e garantiu a medalha! É claro que o MC pediu pra ele repetir esta pose, para deleite dos fotógrafos.

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Ainda coloca mãozinha na testa tranquilamente…

Vogue Femme (Soft And Cunt)

Pobre de quem achou que não tinha por onde esquentar mais a competição. Afinal, vogue femme é uma das categorias mais disputadas. Como a anterior, esta também foi dividida em duas. Como os jurados deixaram muito claro durante os workshops, são dois jeitos diferentes de dançar o mesmo estilo. Depois de entrar em runway, hands performance e new way, Victórya finalmente se encontrou na soft and cunt, fato que foi destacado por Dashaun ao elogiar a dançarina.

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O tema das categorias era Vênus em Escorpião: sensualidade, sedução e entrega total. Repara na Lua Cazul SE SENTINDO na repescagem:

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Para os iniciados, esta semi-final foi, certamente, uma das batalhas mais esperadas da noite. Neptune Keller e Luana Ninja já tinham se enfrentado na disputa do terceiro lugar do ano passado.

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Soft and cunt. Macia e buceta. Luana e Basseto. Que final mara o quê? VILHOSA! Beeeeeeemmm garotas, bem afeminadas na cara da sociedade!

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Luana levou a melhor e ficou com a penúltima medalha da noite!

Vogue Femme (Dramatics)

Drama. Último pedaço de um bolo com sete fatias, a categoria dramatics pede bichas preparadas para tudo. Qualquer coisa pode acontecer na arena quando esta categoria começa. Quatro candidatos entraram para conseguir seus 10s. Diego mostrou que não entende só de new way.

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Lucas também despejou toda sua garra na pista em busca de uma segunda medalha.

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Luky Cazul mostrou, em poucos segundos, que os que tentassem desbancar seu favoritismo teriam dificuldades.

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E quando a gente achou que era hora de fechar a categoria, Eduard Kon fez uma entrada glamourosíssima e inesquecível.

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Em uma das semi-finais, a fúria da Vênus em Escorpião fez a arena pegar fogo. Luky venceu Kon e passou para a final.

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Como Luky e Lucas estavam visivelmente cansados, Dashaun pediu ao nosso DJ Guto Borges um beat nervoso pra manter a energia lá em cima. Ao som dos chants e da batida, o que a gente via era um duelo. Mas, em alguns momentos, a sincronia era tão grande que parecia coreografia.

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Luky comoveu os jurados com sua forma tão visceral de dançar dramatics. Este menino do Rio de Janeiro já tinha chamado atenção dos editores há muito tempo.

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Foi declarado vencedor da segunda edição do BH Vogue Fever na categoria dramatics. Uma edição ainda mais impressionante do que a primeira. Estamos de coração cheio e embasbacados com tanta técnica e tanta verdade. Vamos continuar treinando para recebermos vocês que vieram especialmente para o evento, com ainda mais amor e pão de queijo. Até o ano que vem!

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Realeza do Vogue, obrigada por terem topado o desafio conosco. Vocês transformaram o sonho de cinco pessoas em realidade. What’s my favourite word? Bitch!

Zodiac Ball – II BH Vogue Fever
19 de novembro de 2016
Espaço Cultural Tambor Mineiro

Júri: Archie Burnett, Lasseindra Ninja e Trio Lipstick
MC: Dashaun Wesley
Host: Guilherme Morais
Beats: Guto Borges
Produção: Pedro Nogueira e Danielle Pinto

Rainhas, donas e proprietárias da porra toda
Runway: Juliete Schultz
Virgin Vogue: Iago Sabino
Hands performance: Lucas Fonseca
Old way: Augusto Follmann
New way: Diego Carvalho
Vogue Femme (Soft and Cunt): Luana Lopes
Vogue Femme (Dramatics): Luky Rodrigues

Todas estas fotos lacradouras são de Bruna Brandão | www.bruna-brandao.com

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