Em algum momento nesses quase dez anos de amizade, conversamos sobre a ideia de criarmos um blog de dança, algo especializado e com a nossa cara, para dialogar com a cena de dança da cidade. Ainda que a dança tenha sempre feito parte das nossas vidas, o universo das escolas não era algo relativamente atrativo, essa coisa de festival de fim de ano não dialogava com a gente. Mesmo tendo passado por escolas (Pedro fez balé, jazz, sapateado e Dani fez jazz), o que a gente queria mesmo era se jogar nas pixtas, aprender coreografias dos vídeos que a gente mais amava e ralar a tcheca no chão! A ideia nunca saiu do papel.

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Pula pra 2014.

De 2013 para 2014 o Pedro começou a comentar toda hora que estava fazendo aula de Vogue. Vogue Voguing Vorge que porra é essa? Dani só conseguiu entender direito quando foi à uma festa na Gruta. A Dengue era, de longe, a melhor festa que BH tinha visto nos últimos tempos.

Era muita gente livre num espaço minúsculo, típico inferninho que a gente gostava.

E sim, tinha também o Vogue, que era como um óculos de globo de luz que a gente colocava no rosto e via tudo de forma mais poderosa, mais xtravaganza, mais labeijos… As Lipstick eram o elo com esta cultura que aprendemos a amar. A amizade com Tetê, Raquel e Paula foi algo inevitável.

Contaminados pelo sentido que o Vogue trouxe para as nossas vidas, fazíamos catwalk na reta da UFMG a caminho do trabalho, hands performance no 5102. Aos poucos o Vogue fez emergir muitas questões, para depois resolvê-las. Da depressão ao eterno o que vamos fazer das nossas vidas?, uma a uma, as coisas foram se acertando. 

Um ano atrás essas três mulheres trouxeram Archie Burnett, o avô da House of Ninja, para Belo Horizonte. Archie conheceu a Dengue, também contraiu esta febre, e selou a relação desta cidade com o lacre, o glitter e a fechação. Uma noite memorável, a melhor do ano, que teve Henrique Leite como campeão, Luana e Félix protagonizando a semifinal mais absurda que já tínhamos visto ao vivo. O BH Vogue Fever foi a semente de tanta coisa: o BH is Voguing surgiu da nossa necessidade de registrar esses momentos que nos deixavam boquiabertos.

A embrionária cena de Vogue daqui já conseguia lotar casas, mobilizar pessoas muito diferentes. Também foi a semente de outra coisa, a mais importante de todas, a nossa junção como coletivo de trabalho, disposto a dar um passo adiante. A House of Afrodite tem um propósito. Por isso, em janeiro de 2016, nós, Danielle Pinto e Pedro Nogueira, nos juntamos à Raquel Parreira, Paula Zaidan e Tetê Moreira para fazermos a segunda edição do Vogue Fever. Passamos pela negativa de patrocinadores, de editais, de todo mundo. Aqui estamos. Totalmente do coração. Faltam 20 dias. Temos muito trabalho pela frente.

The LACRE is coming.

Lasseindra Ninja, Archie Burnett e Dashaun Wesley são os DONOS do nosso coração e pessoas que toparam essa empreitada com a gente. Todas as informações sobre festa e workshops estão no site.

Todos os gifs são do tumblr Duelo de Vogue, criado pelo Pedro Pedro

Imagem de destaque: House of Afrodite desmaiada com a possibilidade da vinda de Dashaun Wesley, em fevereiro de 2016

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